terça-feira, 22 de março de 2011

Suspiros, beijos, carinhos:
A saudade daqueles passos esquecidos.
Gostaria de alguém encontrar. Em algum lugar. Em lugar algum. Que valorize os detalhes do silêncio, mas que possua uma musicalidade própria, inerente, delicada. Que entenda sobre o tédio e sobre a importância de não se importar. Que penetre no olhar, na mente, na carne. Que me queira irremediavelmente conforme a proporção do meu sentimento. Digo do que é relativo. Apenas não quero que este vazio (tão meu) seja também seu.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Pequeno João
Com suas mãos
Já cansadas
Repousa-as inquietamente
Numa combustão inconsciente
De se fazer gente
Pois gente como a gente
Nada opera
Senão a própria mente.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

por aqui solitário vejo as coisas passarem uma a uma intocáveis versáteis não se entende não se quer entender pequena sombra atrita paira inconsciente no ar pequena sombra sem dono pés fatigados cabeças embriagadas sonhos abandonados sonhos abandonados em ruas abandonadas pessoas observações relutância opulência abismos machucados feridas abismais me olho no espelho como um animal observa seu próprio reflexo espanto cuidadoso as necessidades desnecessárias as surpresas planejadas adjetivos que pairam incoerentes sem rumo um olhar esguio em um reflexo de sol a luz nas folhas o pequeno sonho da pequena sombra o restante de um todo um todo de um resto uma espiral afivelada um cochicho de socorro a luz da lua as ruas silenciosas o silêncio inquieto a morte a noite pensamentos preposições jogos de palavras palavras de jogadas miseráveis apostas com o destino perder-se em si perder-se em ti perder-se morrer com poucas necessidades insatisfeito a luz do sol meu silêncio tuas palavras minhas palavras reciprocidade o mesmo minuto morre num suspiro o mesmo suspiro morre em um beijo um beijo qualquer ou não anos cidades longe demais perto demais num suspiro qualquer mãos entrelaçadas perdidas num lugar qualquer longe demais

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Talvez não seja perspicácia. A similaridade dos fatos não me significa muito. Na verdade, significa! Mas sou tolo o suficiente: alimento descrenças... Talvez não seja perspicácia...

Quintana já dizia: tudo a se escutar aqui são os passos de minha futura assombração. Mas há uma doce sensação de um irrefutável conforto quando se pensa no ar... É a saudade e seus devaneios! Mas no ar...

Tudo permanece igual. Há uma distância e nada mais. Tudo permanece nitidamente igual. Teu olho azul penetrando algum espaço qualquer. Meu olho na eterna curiosidade e numa contraditória indiferença das coisas. Mas ele busca o teu. Ele sabe onde encontra-lo.

Ou na delicadeza do teu profundo céu... Ou na imensidade de minha solidão.

domingo, 2 de janeiro de 2011

É das incertezas que surgem as mais pequenas certezas
Que podem ser incertas à medida que se tornam certas
E que se tornam relativas ao meu próprio pensar.
O que pode ser certo senão o que me é certo?

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

How happy is the blameless vestal's lot!
The world forgetting, by the world forgot.
Eternal sunshine of the spotless mind!
Each pray'r accepted, and each wish resign'd.
Alexander Pope, Eloisa to Abelard



Nada mais indispliscente que a indispliscência comedida,
A tristeza desmedida, uma coerência indeferida,
Uma lembrança outorgada, uma linha esquecida,
Uma esfera, uma casa e mais uma medida.

Duas mãos, duas metades, dois pedaços vazios
Do que veio e se foi e partiu, entre rios,
Entre casas, entre caras, qualquer um, cios;
Um marasmo, alguns mortos e mais alguns fios.

Uma palavra, um silêncio, o que nos foi tido
O que se quer, que se tem, que se faz entendido
Um prazer, algum corte e um sonho ferido
Que repousa em mãos, tão mal protegido.

E no fim, em silêncio, há algum nó
Por ser, enfim, o que vem a ser pó
Um orgulho, despeito e alguma dó
De viver consigo... E somente só.