É das incertezas que surgem as mais pequenas certezas
Que podem ser incertas à medida que se tornam certas
E que se tornam relativas ao meu próprio pensar.
O que pode ser certo senão o que me é certo?
domingo, 2 de janeiro de 2011
terça-feira, 14 de dezembro de 2010
How happy is the blameless vestal's lot!
The world forgetting, by the world forgot.
Eternal sunshine of the spotless mind!
Each pray'r accepted, and each wish resign'd.
Alexander Pope, Eloisa to Abelard
The world forgetting, by the world forgot.
Eternal sunshine of the spotless mind!
Each pray'r accepted, and each wish resign'd.
Alexander Pope, Eloisa to Abelard
Nada mais indispliscente que a indispliscência comedida,
A tristeza desmedida, uma coerência indeferida,
Uma lembrança outorgada, uma linha esquecida,
Uma esfera, uma casa e mais uma medida.
Duas mãos, duas metades, dois pedaços vazios
Do que veio e se foi e partiu, entre rios,
Entre casas, entre caras, qualquer um, cios;
Um marasmo, alguns mortos e mais alguns fios.
Uma palavra, um silêncio, o que nos foi tido
O que se quer, que se tem, que se faz entendido
Um prazer, algum corte e um sonho ferido
Que repousa em mãos, tão mal protegido.
E no fim, em silêncio, há algum nó
Por ser, enfim, o que vem a ser pó
Um orgulho, despeito e alguma dó
De viver consigo... E somente só.
A tristeza desmedida, uma coerência indeferida,
Uma lembrança outorgada, uma linha esquecida,
Uma esfera, uma casa e mais uma medida.
Duas mãos, duas metades, dois pedaços vazios
Do que veio e se foi e partiu, entre rios,
Entre casas, entre caras, qualquer um, cios;
Um marasmo, alguns mortos e mais alguns fios.
Uma palavra, um silêncio, o que nos foi tido
O que se quer, que se tem, que se faz entendido
Um prazer, algum corte e um sonho ferido
Que repousa em mãos, tão mal protegido.
E no fim, em silêncio, há algum nó
Por ser, enfim, o que vem a ser pó
Um orgulho, despeito e alguma dó
De viver consigo... E somente só.
sexta-feira, 26 de novembro de 2010
QUARTO DO PIANO
era um cômodo abandonado.
ali se situava a alegria daqueles aqui recebidos.
crianças corriam e pulavam constantemente
ao som de notas pueris intercaladas à poeticidade
de um sol poente a nos conceber as delícias das noites
festivas (arrebatadas por um lirismo daqueles mais românticos).
era ali que se resumia o significado de espontâneidade
e, talvez, de alegria.
e o tempo deixa seus efeitos...
as páginas amareladas, as pautas ilegíveis,
a atuação de algumas traças e o abandono.
restam memórias refletidas na sombra
do mesmo sol, das mesmas tardes,
das mesmas saudades
embaladas em doçura e liberdade.
e assim se vai o sol novamente,
ao som daquelas mesmas pessoas
ao som daquelas mesmas músicas
ao som daquele mesmo piano.
ali se situava a alegria daqueles aqui recebidos.
crianças corriam e pulavam constantemente
ao som de notas pueris intercaladas à poeticidade
de um sol poente a nos conceber as delícias das noites
festivas (arrebatadas por um lirismo daqueles mais românticos).
era ali que se resumia o significado de espontâneidade
e, talvez, de alegria.
e o tempo deixa seus efeitos...
as páginas amareladas, as pautas ilegíveis,
a atuação de algumas traças e o abandono.
restam memórias refletidas na sombra
do mesmo sol, das mesmas tardes,
das mesmas saudades
embaladas em doçura e liberdade.
e assim se vai o sol novamente,
ao som daquelas mesmas pessoas
ao som daquelas mesmas músicas
ao som daquele mesmo piano.
segunda-feira, 8 de novembro de 2010
terça-feira, 2 de novembro de 2010
TRÊS TOMOS DE ORNAMENTOS NÃO NECESSÁRIOS
I
as fezes enegrecidas com a considerável ação do tempo
(às vezes me consideras escória)
(eu a considero como me convém)
as fezes enegrecidas com a considerável ação do tempo
(às vezes me consideras escória)
(eu a considero como me convém)
não fossem as duas linhas serem paralelas
não fosse a formação incongruente das palavras
os resquícios de solstícios
as alusões tão penetrantes e pouco intuitivas
e uma que outra circunstância atenuante
não fosse a formação incongruente das palavras
os resquícios de solstícios
as alusões tão penetrantes e pouco intuitivas
e uma que outra circunstância atenuante
(inquieta em meus flagelos )
(inquieta por sua quietude)
(inquieta por sua quietude)
um apego familiar e desconfortável por si só
por ser o que se é e não o que se deve ser
e sendo o que se deve ser nada vem a ser
pois nada se constrói no que não se é
realmente e solenemente
por ser o que se é e não o que se deve ser
e sendo o que se deve ser nada vem a ser
pois nada se constrói no que não se é
realmente e solenemente
(uma inquieta falácia)
(uma que outra, inutilmente)
(uma que outra, inutilmente)
II
bloquinho perplexo
jogo de nexo
e uma vantagem
uma sentença
capciosa
de se ser
de se pensar
ser
um ser
III
pois é com minha considerável inutilidade
que construo o anagrama das palavras
pra ver em quais cabem os sentidos já transvirados
de uma turva inexistência existencial
(tão cabal em seus máximos detalhes - que não há-)
III
pois é com minha considerável inutilidade
que construo o anagrama das palavras
pra ver em quais cabem os sentidos já transvirados
de uma turva inexistência existencial
(tão cabal em seus máximos detalhes - que não há-)
terça-feira, 26 de outubro de 2010
[26 de outubro de 2010]
Duas silhuetas
Entrelaçadas no que tange o olhar
No que tange qualquer fragmento de olhar
Nos resquícios do tato do olfato do afago
Da presença em nada presente
Da conquista em nada atuada
Em palavras silenciosas
Em mãos saudosas de calor
Na presença tão doce ornamental
Que completa que preenche que suga a alma
Em recantos de um conforto desconfortável
Prazeroso em seus detalhes
Descuidado em saber cuidar-se
Zelando no que sabe ser seu
Na medida certa em proporção desmedida
No que honra o próprio orgulho desfragmentado
Um orgulho manchado e submisso
Em um beijo aspirado
Em um beijo marcado
Nas duas pequenas mãos aquelas mãos
Naqueles rostos encostados
Receosos de si mesmos
Amorosos por serem um
Aquelas mãos que dirão adeus
Talvez não
Talvez entrelacem na escuridão
Percam-se eternamente no que não é eterno
Por simplesmente serem duas silhuetas
Entrelaçadas no que tange o olhar
Entrelaçadas no que tange o olhar
No que tange qualquer fragmento de olhar
Nos resquícios do tato do olfato do afago
Da presença em nada presente
Da conquista em nada atuada
Em palavras silenciosas
Em mãos saudosas de calor
Na presença tão doce ornamental
Que completa que preenche que suga a alma
Em recantos de um conforto desconfortável
Prazeroso em seus detalhes
Descuidado em saber cuidar-se
Zelando no que sabe ser seu
Na medida certa em proporção desmedida
No que honra o próprio orgulho desfragmentado
Um orgulho manchado e submisso
Em um beijo aspirado
Em um beijo marcado
Nas duas pequenas mãos aquelas mãos
Naqueles rostos encostados
Receosos de si mesmos
Amorosos por serem um
Aquelas mãos que dirão adeus
Talvez não
Talvez entrelacem na escuridão
Percam-se eternamente no que não é eterno
Por simplesmente serem duas silhuetas
Entrelaçadas no que tange o olhar
segunda-feira, 25 de outubro de 2010
[des]FRAGMENTOS I
Num bloco de anotações de Luiza Jardim
Batatinha quando nasce
Menininha quando nasce
Incógnitas ponderantes
E tão pouco relevantes.
Menininha quando nasce
Incógnitas ponderantes
E tão pouco relevantes.
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